Posts Tagged ‘Testemunhos’
De 15 a 18 de outubro de 2009 foi realizado em Brasília o Encontro Nacional de Pregadores. O material que a equipe nacional do MCS produziu durante o evento pode ser acessado no site pregacao.rccbrasil.org.br.
Paz e bem!

Em maio deste ano a jornalista carioca Patrícia Haddad participou do lançamento do livro Cartas Entre Amigos: sobre medos contemporâneos e escreveu um simpático post em seu blog falando do livro, do lançamento e do hábito de escrever cartas, do qual fui fiel praticante durante quase cinco anos de minha adolescência – cheguei a contar 300 amigos por correspondência ao mesmo tempo de quase todos os estados do Brasil e de Portugal. O texto enxuto, informativo e bem ilustrado da Patrícia foi o que me incitou o desejo de ler o livro.
Dois meses depois eu ainda não tinha lido Cartas Entre Amigos, mas me deparei com outro texto, dessa vez do jornalista goiano Rafael Carneiro que sugestivamente escolheu o título A boa surpresa para falar da obra. Rafael, católico praticante, encerra o seu texto dizendo:
Católico, não me espelho necessariamente em homens como o Padre Fábio ou Gabriel Chalita. Mas me encanta ver imagens diferentes dos meus achismos em outros espelhos. Católico, me espelho muito nessa generosidade. Os generosos são surpreendentes.
O texto do Rafael, que não é membro da Renovação Carismática Católica, reavivou meu desejo de saborear o livro. Por motivos financeiros, só este mês tive condições de comprá-lo. A leitura, fácil e prazerosa, durou menos de três noites e já escolhi uma pessoa querida da minha família a quem vou presentear com o mesmo exemplar que li. Sou de uma corrente que defende que lugar de livro não é na estante, mas sim a trinta centímetros do nariz de um leitor.
Gabriel Chalita e Padre Fábio têm narrativas muito parecidas. São poéticos, filosóficos, conselheiros, defensores do amor. Várias vezes, ao longo das dezoito cartas, eu me via perdida por alguns segundos tentando me lembrar quem escrevia para quem, até que encontrava algum vocativo dizendo “padre”, que é como Gabriel trata Fábio, ou “Gabriel”, que é como o padre chama o doutor em direito. Os vocativos “amigo” e “irmão” são comuns a ambos.
As cartas são repletas de testemunhos nos quais identificamos pessoas conhecidas de nosso convívio familiar e social, se não nós mesmos. Ao contrário do que eu imaginava antes, Fábio e Gabriel não fazem apologia ao catolicismo em si. Suas cartas são apologias ao amor, que está acima de qualquer religião. As frases são tão belas e definitivas que eu poderia fazer dezenas de citações aqui, mas vou encerrar com um parágrafo da décima terceira carta, escrita por Gabriel Chalita:
Somos avarentos porque temos medo de perder dinheiro, invejosos porque temos medo do sucesso do outro, ciumentos porque temos medo de que alguém roube o que fantasiamos nos pertencer. Arrogantes, porque temos medo de que percebam nossas fragilidades. Egoístas porque temos medo de dividir a rede. Preguiçosos porque temos medo da luta. Agressivos porque temos medo do amor.
Paz e bem!

A cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito comum. (I Coríntios 12, 7)
Estou em fase de adaptação. Durante 19 anos e até agosto de 2008 eu participava de um paróquia grande, com oito comunidades, movimentos, obras, apostolados, muita gente – de todas as faixas etárias – teatro, muita música, muita dança. Aliás, se a Paróquia Cristo Rei fosse um ministério da RCC, seria o Ministério das Artes. Eu sou até suspeita para falar, mas “ô povo artista” aquele lá do Parque Atheneu e região!
Me mudei para a Vila Redenção em agosto do ano passado. Trabalhava em um call center no turno da noite de domingo a sexta-feira, de forma que só participava das missas aos domingos de manhã. Logo eu percebi que era bem diferente do que eu estava acostumada. Como na maioria das paróquias a missa matutina acaba se tornando a missa dos idosos, porque os jovens geralmente têm mais preguiça de acordar cedo, achei que esse fosse o motivo.
Uma paróquia diferente
Se o corpo fosse todo olho, onde estaria o ouvido? Se fosse todo ouvido, onde estaria o olfato? (I Coríntios 12, 17)
Em dezembro saí da empresa. Na semana do Natal eu participei de missas em Goianésia e Brasília, onde estive com familiares. Em janeiro pude finalmente passar a frequentar as missas noturnas aqui na Vila Redenção, deduzindo que nelas encontraria as missas às quais eu estava habituada (leia-se: bateria, cânticos em ritmo de pop-rock, muitas coreografias e muitos jovens ajudando a animar o restante da assembléia).
Contudo meu preconceito caiu por terra e percebi que, nesta paróquia, as missas da noite são muito parecidas com as missas da manhã. Aumenta a proporção de jovens, mas jovens casados, com crianças de colo. Resumindo: não encontrei a minha turma de jovens católicos solteiros, aqueles que fazem coreografias em quase todas às músicas e continuam cantando com muita alegria na fila da comunhão.
Humanamente foi uma decepção. Meu pai fez a mesma constatação. Minha primeira atitude foi comparar as duas paróquias, dizendo que X era melhor que Y. Mas aí percebi que era infantilidade. Além de ser uma comparação desproporcional (considerando os tamanhos das duas paróquias), eu logo vi que estava exaltando os carismas de uma e esquecendo de observar a outra.
O carisma necessário
Antes, pelo contrário, os membros do corpo que parecem os mais fracos, são os mais necessários. (I Coríntios 12, 22)
Depois de quase duas décadas em uma paróquia com tão forte vocação para as artes, era de se esperar que estranhasse uma paróquia tão diferente. Porém, passado o estranhamento, passei a olhar a Paróquia Cristo Redentor com os olhos da fé, foi quando compreendi que ela tem algo que se destaca em relação a outras paróquias que conheci: é uma paróquia de intercessores.
Com a ajuda do Espírito Santo foi bem fácil perceber. Além do pároco, intercessor e incentivador de intercessores, o carisma da Intercessão está por todo a paróquia: entre os catequistas, entre os ministros, no grupo de oração. Observei que a disponibilidade dos paroquianos em orar uns pelos outros é realmente uma vocação. Bem diferente do que eu estava acostumada, onde eu via muitas pessoas pedindo oração e poucas dispostas a interceder.
Confessai os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros para serdes curados. (Tiago 5, 16)
Alguns dias depois de fazer essa constatação, descobri que as coordenadoras estaduais do Ministério de Intercessão da RCC são da Paróquia Cristo Redentor, atuais companheiras de grupo de oração. Foi aí que tive a confirmação do que tinha observado.
Agora eu sei que, enquanto muitas paróquias dançam, pulam, cantam, tocam… tem uma paróquia inteira aqui no Vicariato Centro intercedendo. Mesmo entre servos da RCC, as pessoas reclamam que têm pouco tempo de orar por si, por seus familiares, por seu grupo de oração… Imagine uma galera que dedica seu tempo a interceder por todos: paroquianos, governantes, o clero, etc. Que benção!
Todos nós somos intercessores, mas poucos são os que assumem a Intercessão como sua vocação e Ministério. Você que, assim como eu, é falante, ansioso e agitado, gosta de missas que fazem suar, já conseguiu imaginar a Igreja sem as pessoas que se dedicam à Intercessão e, portanto, são vocacionadas à contemplação e ao silêncio? Eu não.
Paz e bem!
