Em uma gruta, em Belém, aconteceu o mais sublime e, por incrível que pareça, o mais simples natal de toda a história: um casal humilde, animais aos redores, palhas, uma manjedoura e no centro um menino que acabara de ser dado à luz. Devia ter chorado, em sua humanidade, o desconforto de sair do Ventre Santo e se deparar de imediato com o frio, os ruídos, o odor dos animais, a curiosidade dos passantes. Devia ter chorado, como todos, para abrir seus pulmões ao sopro da vida.

Mas não era um menino qualquer. Era o próprio Deus.

Me pergunto como acreditar nisso naquele momento, diante desse cenário. O Deus que havia sido esperado a tanto tempo, a Salvação do mundo, estar ali, no local mais precário, escolher ali para nascer, para dar seu primeiro grito ao mundo. A resposta me vem de maneira súbita: pela Fé. Quem esteve ali para adorá-lO, não questionou, apenas acreditou. Quem veio de longe guiado pela estrela, não perguntou se era mesmo verdade, apenas caminhou. Quem pôde olhar para aquele menino, não poderia ter outra reação, o Amor que continha naquele ambiente era tão forte, que não seria possível outra resposta, apenas Amor.

Viver esse tempo do Natal do Senhor é atualizar esse mistério. Hoje, 2016 anos depois, é possível que seja tão igual, basta que façamos a releitura dessa passagem tão linda do Evangelho e, sugiro, trazendo essa realidade para dentro da nossa, pra dentro de nós.

Meu coração e o seu são agora essa gruta, essa manjedoura. Talvez pensaríamos que jamais receberíamos Deus nessa precariedade. É muito simples, é muito pequeno, é inóspito. Para ser mais sincera, é sujo e não cheira bem. É miséria.

Mas a boa notícia é que Ele escolheu ali, aí, aqui, para nascer.

Trazido por Maria, conduzido por José, nesta noite fria, Ele nasce, e com Ele a nossa vida renasce. Choramos a dor da ruptura, da escuridão para a luz, da segurança para a liberdade; até sentimos medo, pois romper com o que é cômodo e se lançar aos inesperados desafios da vida é um tanto quanto assustador para nossa humanidade frágil. Mas é necessário. Ele experimentou e nos faz também ter essa experiência.

Mas o colo da Mãe logo consegue dar descanso a essa inquietação. Devia Ele ter se alimentado e dormido tranquilo sabendo, na intuição natural de Filho, que Ela seria Sua proteção e amparo. Nós também o podemos fazer. Somos seus filhos.

Aos que ali tiveram foi suficiente apenas a fé, e o Amor que pairava sobre todos os convencia imediatamente de que a Vida (cf. Jo 14, 6) se fez em nosso meio. Também hoje, basta nos a fé, para que a Vida brote em nós e esse Amor nos convença, e a todos ao redor, de que verdadeiramente nasceu para nós e em nós o Salvador, Jesus.

Que abramos o nosso coração para que seja Natal agora e sempre, em todos os dias da nossa vida. Para mim e para você, Vida Nova.

Lara Bianna
Ministério de Comunicação
São José do Rio Preto